Aborto de Anencéfalos

Mais um post que não tem muito a ver com a temática do blog, mas que tem a ver com as nossas vidas, já que somos mulheres e, portanto, as mais atingidas nesses casos.

Esse é um tema que me interessa bastante, pois foi o tema da minha monografia de final de curso ( quem quiser o PDF basta me pedir por e-mail, tá?).

Falar sobre anencefalia, pra mim, é falar sobre dignidade, direito  e medicina. Religião fica de fora pelo simples fato de ser este um país laico e, portanto, que não deve ter suas decisões jurídicas pautadas em parâmetros religiosos, embora se saiba que a criminalização do aborto, neste país, é fruto de uma orientação social fortemente calcada em parâmetros religiosos.

Foto: Reprodução

Para quem não sabe, a anencefalia é uma condição TOTALMENTE incompatível com a vida humana. Não há vida em potencial, então, não há que se falar sequer em aborto, já que o aborto é um crime contra a vida humana e pressupõe, logicamente, uma vida. Se não há vida, não há bem jurídico a ser tutelado, e, portanto, não há crime.

O que ocorre, nesse caso, e a interrupção terapêutica do parto, para resguardar a saúde física e psicológica da gestante, além da sua dignidade.

Sim, uma gravidez de feto anencéfalo, além de não ter fim que a justifique, já que o fato nascerá morto ou morrerá em pouco tempo, põe em risco a saúde da mãe. Não só a saúde física, mas também a saúde psíquica, já que carregar em si um filho que se sabe que não viverá é uma tortura.

Uma gravidez deve ser sempre motivo de felicidade, de celebração da vida e não a constatação da morte anunciada.

Obrigar uma mulher a carregar dentro de si um feto que sabe-se, com absoluta certeza, que não tem vida é exigir o inexigível, e um sistema judicial que exige o inexigível carece de legitimidade.

Defender o direito de interromper a gestação nesse caso é respeitar a dignidade da gestante, bem como sua vida e saúde.

 Respeitar esse direito não dignifica que todas as mulheres que passarem por essa situação deverão antecipar o parto,  significa tão somente que existirá o direito de escolha.

Espero, de verdade, que esse julgamento seja a vitória da dignidade e do bom senso!

Beijos

Ju

julianalopes@patricinhaesperta.com.br

Aborto de Anencéfalos
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Kalina Amaro

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46 Comments
  1. Eu tbm espero. Issso ja deveria ser direito da mulher, sem nem precisar passar por isso tudo.Tem coisa muito mais importante pra se preoucupar, como por exemplo mães que qerem ter 10 filhos so por causa do bolsa familia, e deixam de cuidar e faz essas crianças pedir esmolas nas ruas. Com vida ninguem se preoculpa.

  2. Queria ver se estas pessoas tivessem um filho com uma malformação severa dentro da UTI, as pessoas têm uma visão muito romanceada do que é passar seus dias com um filho malformado. Não é tão bonito nem sentimental quanto parece. A família abandona mesmo — o primeiro da lista a sumir é o pai, em vários níveis, desde simplesmente não aborrecer muito e deixar a mãe cuidar da criança, até tornar a vida da mãe um inferno e (finalmente!) ir embora. O resto da família abandona também. Não se iludam.
    Talvez apareçam para uma visitinha de 15 minutos no final da semana, e se você tiver sorte alguém fica lá por meia hora para você correr e tomar um banho em casa. Outra dificuldade enfrentada é o julgamento dos outros. Você já está fragilizada e ainda as pessoas desconhecidas resolvem se meter na sua vida. Você tem culpa, de alguma forma, pela tragédia que está passando, lógico. Se tivesse orado mais, comido mais, comido menos, se estressado menos, tomado mais ou menos vitaminas etc, etc. Imagina eu, que sou ateia, o que ouvi. Falta Deus na minha vida, lógico.
    Alguém perguntou se uma mãe abortaria um filho se soubesse que ele não teria chances. A minha resposta: se eu soubesse que meu filho nasceria com essa malformação, que passaria por 3 cirurgias inúteis, que viveria ligado em aparelhos, que precisaria fazer exames de sangue todos os dias e levaria em média 10 picadas por vez, que faria controle de dextro de 3 em 3 horas, que teria 13 septicemias e que no fim morreria afogado no próprio sangue que inundou seus pulmões, eu abortaria sem pensar duas vezes.
    Para quem disse que nem um animal aborta, vale lembrar que os animais abandonam ou matam os filhotes que nascem doentes.

    E Um conselho, para todos aqueles que são favoráveis à manutenção das gestações de fetos com graves malformações: tirem um tempo, talvez uma ou duas horas por semana, e se proponham a cuidar de uma dessas crianças/adolescentes/adultos que dependem da MÃE 24 horas por dia, para que essa mãe possa sair, relaxar, ir ao cinema, sei lá. Lembrem-se que essas mães não têm vida.

    1. Anonima, já acompanhei um caso, na época da monografia, em que aconteceu justamente o que vc falou no primeiro parágrafo…Todo mundo foi contra a antecipação do parto, e depois todo mundo, sem exceção, sumiu…marido, amigos, família, pastor…
      Eu sequer posso imaginar a dor que é passar por tudo isso…Não posso mesmo…
      Obrigada pela sua opinião!
      beijos
      Ju

  3. Lilian Cláudia disse:

    Bom dia,
    Descordo da sua opinião, pois conheço um caso onde o feto foi considerado anencéfalo, e a bebê está viva até hoje, claro possui limitações, muitas limitações, mas para seus pais cada novo movimento, cada pequeno progresso é uma vitória.
    Cada um de nós tem um tempo de vida, a minha opinião é que se respeite esse tempo, se meu filho vai nascer e morrer, não conta como vida o tempo dentro da minha barriga, não posso dar amor a ele o tempo em que ele puder viver. Abortar um bebê, mesmo que esse virá a morrer, não é o mesmo que matar alguém que tem uma doença terminal?
    Aproveitem para amar esse filho o tempo que puder, afinal, você mataria seu filho caso lhe dissessem que ele só tem 9 meses de vida? Além do mais, a morte é a única certeza da vida.

    1. Oi Li, tudo bem?
      Você tem todo o direito de discordar, é claro!
      Mas quando vc fala de aborto, porque tanto pelo viés médico quanto pelo viés jurídico não há que se falar em aborto, pois não há vida a ser resguardada. Isso não é especulação, isso é comprovação científica.
      Beijos

    2. Luiza Villela disse:

      Lilian, é importante ressaltar que o julgamento do STF está dando o direito de aborto. Portanto, aquelas que queiram continuar com a gravidez até o final o farão, e quem não deseja passar pelo sofrimento poderão abortar. Na verdade, se resume ao direito de escolha das grávidas que passam por este processo.

  4. Clara Rayssa disse:

    Passando apenas pra dizer, que fico muito triste com post’s como esses em blog….
    Não concordo com nada que disse, mas sim sou a favor da vida, independente do curso que ela tenha. E pode ter certeza, que a mâe que decide por deixar seu filho nascr, mesmo que ele viva por minutos, ou dias…Nada se compara a esses pequenos momentos que concerteza vão durar pra sempre em sua memória e no seu coração de mãe.

    1. Oi Clara, você tem todo o direito de discordar, mas isso deve ser uma escolha da mulher e não uma imposição jurídica ou social.
      Beijos

    2. Olá
      sinceramente eu tenho opiniões divididas sobre esse assunto,mas gostaria de dizer à Clara Rayssa que acho muito injusta sua opinião por dizer que ficou triste com esse post.O que está em jogo aqui é mais que uma opinião…se você acha que isso é errado..tudo bem,mas lembre que existem mães que estão sofrendo com essa situação e que não querem passar por isso.
      Lembre-se que é uma questão de situação,e quem concorda com a legalização desse tipo de aborto tem todo o direito de se expressar,portanto não julgue o blog por expor seu posicionamento.
      Muito legal o seu post Ju,e espero que um dia as pessoas aprendam a respeitar e entender que nem todos sofrem das mesmas maneiras.
      Beijos

  5. Concordo plenamente com a Juliana, não podemos confundir problemas religiosos com problemas de saúde, não podemos criminalizar uma mulher por fazer aborto de anencéfalo.

    O que lei prevê é apenas a opção da mãe, não é obrigado a abortar, apenas é uma opção que ela fará no caso de malformação.

    Um país onde todos os poderes são corrompidos, por que deixar a mulher nessa situação de profunda tristeza e sem opção.

    As vidas devotadas que optarem por manter a gravidez e correr os riscos ,parabéns a elas, mas não podemos condenar a cadeia aquelas que não querem levar a frente a gravidez .

    1. Nessa, esse não é um caso de anencéfalia total, que é o tema discutido no post e no julgamento.Beijos

  6. O que será julgado é o direito da gestante de abortar ou não. Ela escolhe, nada mais justo! É muito sofrimento pra gestante ter uma gravidez sabendo que seu filho está nestas condições e, muitas vezes, a própria sobre risco de perder a vida. Uma amiga passou por isso, e acredite é muito sofrimento pra gestante saber que seu filho irá morrer. No caso dela, o bebe não sobreviveu nem por 1 hora. Ela comprou todo o enxoval, mesmo sabendo que as chances de sobreviver eram raras. E quando nasce, a gestante espera por um milagre e sofre muito quando ele morre. Chega ser desumano essa imposição. Não é fácil pra mulher e pra família. É fácil julgar com conceitos científicos e religiosos. Eu já vi casos assim, falar na teoria que é contra é muito fácil, convive com quem passou. Porque o que ta sendo questionado é o direito e só. Muitas mulheres vão optar por ter o bebe mesmo sabendo da situação, cada um sabe a dor que pode suportar e não as leis ou os ministros. E sinceramente, isso só vai funcionar pra quem é pobre, porque se a gestante tem uma condição razoável faz o aborto mesmo assim numa clinica, correndo risco de perder a vida. Isso pode ne? A mulher se submeter a clinicas clandestinas pode. É tudo hipocrisia.

    1. Concordo plenamente Márcia! Isso cabe à mulher decidir, porque quem vai arcar com tudo é ela. Ninguém está dizendo que será obrigado a tirar, o que se defende é o direito de escolher!Beijos

  7. Emanuelle Maciel disse:

    Entenda, como o post explicou, a criaça anencéfala NÃO TEM cérebro, ou então tem resquícios de massa QUE NÃO TERÃO UMA FUNCIONALIDADE, TAMPOUCO IRÁ SUBSTITUIR O CÉREBRO. Lógico que a questão gira em torno de que o aborto será uma escolha da mãe e não uma obrigação!!! Mais paremos para pensar: É CORRETO DEIXAR UM FILHO SEM CÉREBRO, SEM NENHUM TIPO DE INDEPENDÊNCIA DOS PAIS? SERÁ CORRETO UMA CRIANÇA QUE NÃO PENSA, NÃO SABE O SIGNIFICADO DE CHORAR, PEDIR, FALAR!!!!!!! SEM VIVER UMA VIDA NO MÍNIMO NORMAL, com algumas limitações? Essas criança tem tantas limitações que se tornam pequenas pessoinhas que dependeram integralmente de seus pais, então quando essa criança crescer ( se sobreviver) e os pais envelhecerem, como vai ser? Você como mãe, não irá pensar que seu filho poderá ficar sem um amparo quando os pais morrerem?????? Ele não tem vida própria. Não será egoismo de uma mãe deixar essa vida acontecer? Eu sei que tem uma criança que está viva e tem 02 anos e é uma alegria para os pais…….( vejam: http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/tag/defesa-da-vida) mais em nenhum momento alguém parou para pensar na criança???? Deve ser frustante você saber que sua filha(o) não vai pra escola, não vai ter o primeiro beijo, não vai falar papai ou mamãe, não vai pra faculdade. Você não irá receber o namorado(a) dela(e) em casa, VOCÊ NÃO PODERÁ VISITAR OS AMIGUINHOS DELA, simplesmente porque ela provavelmente não saberá o que ter um amigo, e caso o tenha, ela não vai interagir com essa criança. Nossa, eu não aguentaria isso.

  8. Carol Pessanha disse:

    Assunto polêmico e muito interessante apara discutirmos! Acho sim que o blog é lugar para tocarmos neste assunto, como a Ju falou, somos mulheres e este assunto muito nos interessa independente de sermos contra ou a favor. Gente, confesso, to confusa…fui pesquisar sobre o assunto e quanto mais leio, mais confusa fico. Já li e conheço um casal que optou por levar a gravidez até o fim e sei de um outro que fez o aborto, a situação é complicada d+. Não cabe a nós, que nunca passamos por esta situação julgar ou impor nada a ninguém. Acho que estou mais pro lado de ser a favor, já que se for liberado, a mulher simplesmente terá seu direito de escolher. As pessoas estão confundindo um pouco a questão a liberação…acham que toda e qualquer mulher que tiver um feto anencefalo será obrigada a fazer o aborto, não…ela fará se quiser, terá direito a escolher. Se não quiser seja por conta da religião ou o que for, não faça. Enfim…to confusa! rs

  9. Oi meninas!! Sem brigas e polêmicas. Vim aqui só expressar a minha opinião.

    Sou veemente contra todo e qualquer tipo de aborto. Veemente contra. Estou aguardando também o resultado do julgamento da APDF pelo STF e torcendo para que seja favorável a vida!!!

    Discordo, da mesma forma, da afirmação de que devemos deixar a religião de fora das discussões jurídicas. Acho que sim, a religião x ou a y não se deve discutir, já que estamos em um país laico, mas o direito à vida é algo muito além de religião. A vida é o maior e o melhor presente que Deus pode nos enviar. Deus dá a vida, Deus tira a vida.

    Devemos parar de pensar que os fetos são apenas um conjunto de células (com mal formação ou não), alí dentro, além de um corpo em formação, tem uma alma!!!! Uma alminha que tem o direito de viver o tempo que foi destinado à ela, seja 90 anos, seja 9 segundos.

    Uma frase que eu li por esses dias foi mais ou menos assim: “engraçado, só é a favor do aborto quem teve a chance de viver para expressar suas opiniões”.

    Minha gente, medicina erra. E o que falar dos casos que, mesmo com anencefalia ou acrania, as crianças vivem??? Como foi o caso do menininho que o médico não deu nem 1 hora de vida e ele vive até hoje?

    Sim, essas crianças terão limitações, mas serão crianças, são seres humanos!!!! Como privá-los do direito de nascer? Como fazer uma espectativa de vida quem nem sempre é correta????

    Eu acho que hoje em dia, onde a legislação é direcionada a visar o interesse do menor está o colocando em segundo plano. É sempre assim, direito da mãe escolher, direito da mãe dispor do seu corpo, direito da mãe abortar, direito da mãe não carrega-lo no seu útero, dignidade da mãe…mas e o direito da criança? o direito do menor á vida!!! Não estamos falando de direito à escolha ou princípio constitucional de dignidade da pessoa humana (que também se aplica ao menor) estou falando do maior Direito que o ordenamento jurídico protege: O DIREITO À VIDA!!!!!!

    Como jurista, acho que seria uma pena deixar de criminalizar qualquer tipo de aborto, o direito de nascer existe e deve ser respeitado. Como cidadã, acredito que o país ainda tem muito a caminhar na conscientização de que tirar a vida de alguém não vai livrar a mãe de qualquer dor, ao contrário, acredito deve ser muito mais doloroso carregar a dor de ter abortado um filho do que carregar uma vida por 9 meses em seu útero. A vida é sempre um presente.

    Obrigada meninas, pelo espaço. Respeito a opinião de cada uma, mas a minha é contrária!

    beijos

  10. Renata Araújo disse:

    Se o assunto chegou até o STF é porque muitas mulheres já reivindicaram o direito de se pouparem do sofrimento de gerarem um filho que a morte em poucos minutos é certa. Ninguém está falando em OBRIGAR a mulher a abortar, estamos falando em manter a dignidade de uma mãe.
    Deve ser triste carregar um feto “pré-morto” por meses e não poder ficar feliz com seus movimentos, não poder se deliciar ao comprar roupinhas, ao invés disso procurar por caixões.

  11. Não concordo com a sua opinião.
    1- O anencéfalo, malgrado a sua condição, é um ser humano vivo; por isso, ele merece todo o respeito devido a qualquer ser humano; ainda mais, por se tratar de um ser humano extremamente fragilizado; a sociedade, por meio de suas Instituições, deve tutelar o respeito pleno à sua frágil vida e à sua dignidade.

    2- O sofrimento da mãe é compreensível e deve ser levado plenamente a sério; mas não pode ser argumento suficiente para suprimir a vida de um bebê com anomalia. Se o sofrimento da mãe, ainda que grande, fosse considerado argumento válido para provocar um aborto, estaria sendo aprovado o princípio segundo o qual pode ser tirada a vida de um ser humano que causa sofrimento grave a um outro ser humano. Não só em caso de aborto.

    3- O sofrimento da mãe, que é pessoa adulta, pode e deve ser mitigado de muitas maneiras, quer pela medicina, pela psicologia, pela religião e pela solidariedade social; além disso, trata-se de um sofrimento circunscrito no tempo, que pode mesmo dignificar a mulher que o aceita, em vista do filho; mas a vida de um bebê, uma vez suprimida, não pode ser recuperada; e o sofrimento moral decorrente de um aborto provocado pode durar uma vida inteira. Além do mais, o sofrimento da mãe e o respeito à vida e à dignidade do filho são duas realidades de grandezas e pesos muito diversos e não podem ser, simplesmente, colocados no mesmo nível; o benefício do alívio de um sofrimento não pode ser equiparado ao dano de uma vida humana suprimida.

    4- É preconceituoso e fora de propósito afirmar que a dignidade da mãe é aviltada pela geração de um filho com anomalia; tal argumentação pode suscitar, ou aprofundar um preconceito cultural contra mulheres que geram um filho com alguma anomalia ou deficiência; isso sim, seria uma verdadeira agressão à dignidade da mulher.

    5- O valor da vida humana não decorre da duração dessa mesma vida, ou do grau de satisfação que ela possa trazer aos outros, ou a ela própria. O ser humano é respeitável sempre, por ele mesmo; por isso, sua dignidade e seu direito à vida é intocável.

    6- O cerne de toda a questão está nisso: os anencéfalos são “seres humanos”? São “seres humanos vivos”? Apesar dos argumentos contrários, não há como colocar em dúvida a resposta afirmativa às duas perguntas. Portanto, daí decorre, como conseqüência, que ele deve ser tratado como “ser humano vivo”.

    7- Permanece, de toda maneira, válido que só Deus é senhor da vida e não cabe ao homem eliminar seu semelhante, dando-lhe a morte; nem mesmo aqueles seres humanos que não satisfazem aos padrões estéticos, culturais, ou de “qualidade de vida” estabelecidos pela sociedade ou pelas ideologias. A vida humana deve ser acolhida, sem pré-condições; não somos nós que damos origem a ela, mas ela é sempre um dom gratuito. Não é belo, não é digno, não é ético, diante da vida humana frágil, fazer recurso à violência, ou valer-se do poder dos fortes e saudáveis para dar-lhe o fim, negando-lhe aquele pouco de vida que a natureza lhe concedeu. Digno da condição humana, nesses casos, é desdobrar-se em cuidados e dar largas à solidariedade e à compaixão, para acolhê-la e tratá-la com cuidado, até que seu fim natural aconteça.